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outubro de 2008
Liderança e Medicina Perioperatória
O Presidente do Conselho Superior da Sociedade Brasileira de Anestesiologia (SBA) e coordenador de Pesquisa em Anestesia e Dor HC1 Instituto Nacional de Câncer, Dr. Ismar Lima Cavalcanti, destaca a importância da liderança para que os anestesiologistas assumam a Medicina Perioperatória.
Equipe editorial: O senhor relaciona medicina perioperatória e liderança. É preciso de líderes para conduzir esse processo?
Dr. Ismar Cavalcanti: Procuramos primeiro entender a importância da liderança nos grupamentos humanos e, para isso, buscamos referências que levavam em conta o surgimento do homem e da necessidade do ser humano de trabalhar em grupo. Para que a humanidade pudesse evoluir era preciso que esses recursos de vivência fossem utilizados e, portanto, um sempre precisava conduzir os demais. Além disso, levamos em conta os aspectos psicanalíticos, que demonstram claramente, que os seres humanos têm fome de liderança como objetivos da perpetuação da espécie e, assim sendo, a liderança está presente em todas as ações humanas e instituições onde encontramos seres humanos. Neste momento em que a Anestesiologia pretende se transformar em medicina perioperatória, é preciso que nós tenhamos líderes que possam conduzir esse processo sim. É necessário desenvolver esta liderança em cada um dos anestesiologistas, pois cada um deles poderá ser um líder difusor e implantador desta filosofia e deste método de trabalho da medicina.
Equipe Editorial: O senhor acredita que a medicina perioperatória é o futuro da especialidade?
Dr. Ismar Cavalcanti: Eu não tenho a menor dúvida que o futuro é a ampliação do campo de atuação dos anestesiologistas e a ocupação desses espaços que fazem intersecção com todo o período operatório e além dele. Por isso, é difícil definir esse perioperatório, porque poderia ser desde o momento que o paciente tem o diagnóstico cirúrgico e o acompanhamento pelo médico anestesiologista se inicia até o desfecho do tratamento global do doente, que pode se prolongar por mais de um ano. É importante saber até onde o anestesiologista pode atuar nesse tratamento a longo prazo, para que ele possa modificar esse desfecho e trazer benefícios para o doente, para que o mesmo possa retornar com saúde e qualidade para a sociedade.
Equipe editorial: O que falta ou o que as entidades na área da anestesiologia podem fazer para que o anestesiologista tome a frente essa posição e assuma para si a medicina perioperatória?
Dr. Ismar Cavalcanti: Existem diversas ações que precisam ser agregadas, a primeira delas talvez seja a sensibilização e a conscientização da situação que estamos enfrentando no mundo inteiro e, principalmente, dentro dos nossos hospitais com os nossos clientes. É necessário perceber que a medicina perioperatório pode ser a solução para uma série de questões que ainda não são tratadas. Sobretudo, é preciso mostrar aos anestesiologistas, nessa sensibilização, que isso traz novos horizontes e perspectivas, então a anestesiologia não apenas sobreviverá, mas ela irá evoluir com a adoção dessa nova modalidade. Depois disso precisamos treinar essas pessoas, pois como o nome diz a medicina perioperatório também é uma medicina. Por isso temos que nos preocupar com o treinamento técnico e científico. É preciso que as pessoas estejam preparadas, para que possamos ter êxito na ocupação desse espaço. Então as sociedades regionais, assim como a Sociedade Brasileira de Anestesiologia, os Centros de Estudo, o Poder Público, todas as instâncias devem ser sensibilizadas afim de que com grande sinergia se possa mudar.
Equipe editorial: O senhor acredita que este seja um processo rápido?
Dr. Ismar Cavalcanti: Levaremos algumas gerações para que o êxito total seja conquistado, mas ao longo do trajeto se conseguirmos vencer algumas barreiras, já são vitórias e irão acrescentar benefícios para os doentes. Portanto, precisamos sensibilizar, educar, pesquisar, ocupar espaços tanto hospitalares quanto extra-hospitalares. Apenas assim conseguiremos implantação e, claro, depois disso a educação continuada é essencial para a concreta estabilização.
Enfato Comunicação Empresarial
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