setembro de 2008

Saiba mais sobre Monitorização Hemodinâmica

Em entrevista ao informativo da SARGS, o anestesiologista do Hospital das Clínicas (HCFMUSP) e coordenador da Unidade de Terapia Intensiva da Disciplina de Anestesia e do UTI especializada em transplante de fígado do HCFMUSP), Dr. Luis Marcelo Sá Malbouisson, destaca a Monitorização Hemodinâmica em Anestesiologia, tema do curso realizado em Porto Alegre nos dias 19 e 20 de setembro. O especialista também é doutor em Ciências pela USP e tem TSA/SBA.

Equipe editorial: Qual a importância de discutir esse tema?
Dr. Luis Marcelo Sá Malbouisson: A monitorização da paciente grave que vai ser submetida a cirurgia de grande porte, ou ao paciente que está na Unidade De Terapia Intensiva, é um assunto da maior importância para a evolução desse paciente. Existe uma grande controvérsia sobro o uso dos cateteres de artéria pulmonar dado a resultados de estudos que foram publicados e que avaliam o potencial de contribuição que esse instrumento de monitorização hemodinâmica oferece na sobrevida desse paciente grave, que vai ser submetido à cirurgia de grande porte. A grande questão da aula que abordamos é discutir esses estudos, o que eles tratam e fazer um ponto-de-vista sobre a utilidade deles, transferindo do conhecimento literário para uma experiência prática e para o ponto-de-vista pessoal que é o que temos efetivamente.

Equipe editorial: Esse tema é de fácil entendimento para os anestesiologistas?
Dr. Luis Marcelo Sá Malbouisson: É um assunto corrente do dia-a-dia do anestesiologista, pois toda a vez que o paciente é submetido a um ato anestésico, ou para um intensivista, quando o doente está na terapia intensiva, monitoramos como está o sistema cardiovascular. A precocidade do tratamento e o entendimento das informações da monitorização hemodinâmica contribuem para que o paciente tenha uma recuperação mais rápida. Por isso, esse assunto é bastante debatido. A grande questão é que esse instrumento dá informações muito precisas do funcionamento do sistema cardiovascular, contudo a utilização dessas tecnologias que são mais agressivas podem, de uma maneira indireta, causar malefícios, complicações, infecções e informações erradas que podem não contribuir para o tratamento do paciente, então essa é uma grande controvérsia. A idéia é discutir o aspecto técnico dessa forma de monitorização, citando os riscos e os possíveis benefícios que podemos empregar.

Equipe editorial: Essa forma de monitorização é usual?
Dr. Luis Marcelo Sá Malbouisson: Não, essa forma é utilizada para pacientes que estão graves, que serão submetidos a cirurgias de grande porte, ou pacientes que têm algum comprometimento cardiovascular e que temos que conhecer precisamente a função cardiovascular desses pacientes.

Equipe editorial: Os anestesiologistas ‘enxergam’ esta questão claramente?
Dr. Luis Marcelo Sá Malbouisson: Isso varia de centro para centro, nos grandes centros do Brasil, como São Paulo, Porto Alegre, Rio de Janeiro, nos grandes hospitais, essa tecnologia é utilizada de uma maneira muito corriqueira. É uma tecnologia que data da década de 60, do século passado. Em hospitais pequenos ainda é uma tecnologia não muito aplicada. A divulgação dessa tecnologia tem o intuito de discutir com os colegas os possíveis benefícios ou malefícios da aplicação desse método.

Equipe editorial: E na prática, quais são esses benefícios e malefícios, o que vai ser mostrado disso?
Dr. Luis Marcelo Sá Malbouisson: Essa tecnologia permite medir o débito cardíaco de uma maneira direta, permite medir as pressões de enchimento do coração esquerdo e do coração direito, permite entender o funcionamento da circulação pulmonar e sistêmica, contudo ela sendo mal empregada ou de forma tardia não irão permitir que o paciente tenha sua hemodinâmica melhorada de uma maneira precoce, logo que você tem uma situação de hipoperfusão tecidual, e a precocidade, no fundo, das interveções para melhorar a hemodinâmica são o que determinam a não evolução para a disfunção de órgãos e que é o grande avento que leva ao aumento da mortalidade no paciente.

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