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abril de 2008
Segurança do paciente exige indicadores de desempenho
O tema Indicadores de Segurança no Perioperatório foi discutido durante a 43ª Josulbra pelo anestesiologista responsável pelo CET/SBA Integrado de Anestesiologia da SES-SC, Getúlio Rodrigues de Oliveira Pinto. Na entrevista a seguir, ele destaca a importância de se pensar constantemente em segurança, seguindo procedimentos corretos, adotando as melhores práticas e buscando a melhoria contínua.
Equipe editorial - O que é preciso para que uma organização, no caso hospitalar, tenha uma cultura de segurança?
Getúlio Rodrigues de Oliveira Pinto - A cultura é composta por valores, atitudes, percepções, competências e padrões de comportamento. Estes são pontos cruciais que irão compor a cultura de segurança. A percepção dos trabalhadores, suas atitudes e comportamentos; e a prioridade dada ao tema segurança também são fatores de sucesso que precisam ser avaliados.
Equipe editorial - O que deve ser levado em consideração para a criação de indicadores de desempenho para segurança de pacientes e eficácia do departamento?
Getúlio Pinto - Precisamos elencar alguns pontos que resultarão em indicadores para serem frequentemente avaliados e monitorados. Entre alguns deles, podemos destacar: quão freqüentemente produzimos lesões nos pacientes, como por exemplo, monitorar a taxa de infecção de cateteres e de feridas operatórias; quão freqüentemente proporcionamos as intervenções que os pacientes deveriam receber (baseadas em protocolos e evidências científicas); quanto sabemos que aprendemos com erros, avaliando histórias compartilhadas e freqüência de reuniões para discussões de erros; quão bem criamos uma cultura de segurança, com avaliações periódicas.
Equipe editorial - O senhor também fala em dimensões do clima de segurança...
Getúlio Pinto - É preciso levar em consideração as dimensões do clima de segurança (Cooper JB et al: Anesth Analg 2008;106:574-84), tais como a prioridade dada ao tema na organização; a atmosfera para relatos de erros, sem que haja conseqüências negativas para quem relata problemas; a segurança valorizada, mostrando que os profissionais genuinamente valorizam a segurança do paciente; o trabalho de equipe em emergências; suporte dos administradores em relação à segurança; carga de trabalho segura; pedidos de ajuda atendidos; e revelação dos erros, sem embaraços.
Equipe editorial - Nesse sentido, o espírito de equipe é fundamental para os melhores resultados?
Getúlio Pinto - Sem dúvida. A boa atmosfera do trabalho da equipe é imprescindível. É preciso que algumas questões estejam muito presentes, como o suporte de outros profissionais para o cuidado dos pacientes, a facilidade para perguntar o que não se sabe, bom acolhimento das observações da enfermagem, facilidade para falar de problemas nos cuidados com o paciente e para resolução de desentendimentos. Médicos e enfermeiros precisam ser uma equipe bem coordenada para que se atinjam os melhores resultados. Temos que ter sempre em mente que incidente pode resultar em lesão e pode, muitas vezes, ser prevenido por uma mudança no processo.
Equipe editorial - O que é preciso ter para que o ambiente seja seguro para o paciente?
Getúlio Pinto - Antes de qualquer coisa, é preciso que haja liderança de segurança e políticas de segurança bem definidas e acessíveis a todos, revistas anualmente. Também é fundamental que todos estejam envolvidos no desenvolvimento de objetivos, resultados e medidas de segurança para que sejam identificados e resolvidos problemas de segurança. Para que tudo isso ocorra, é preciso medir e é para isso que servem os indicadores de desempenho. Precisam ser medidos, publicados e premiados. Além disso, a autonomia, para que todos tenham poder para corrigir ameaças à segurança dos pacientes, também é importante. Assim como todos os incidentes críticos devem ser investigados para que sejam implementadas medidas preventivas.
Enfato Comunicação Empresarial
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