junho de 2003

“A Coopanets é a sobrevivência da profissão”

O cooperativismo em Anestesiologia no Brasil surgiu há aproximadamente 20 anos e hoje existem cerca de 18 cooperativas em todo o país. O anestesiologista não pode negociar sozinho com as empresas, especialmente seguradoras, administradoras de planos de saúde. Ao se unir, trabalhando em cooperativas, eleva-se o poder de negociação do profissional e o trabalho do anestesiologista torna-se mais respeitado. Em entrevista ao Boletim da SARGS, o presidente da Coopanest-POA, Ildo Meyer, explica como funciona a cooperativa gaúcha e chama os colegas associados da SARGS para participarem da instituição.

Boletim SARGS: Quando foi criada a Coopanest-POA?
Ildo Meyer: A Cooperativa dos Anestesiologistas de Porto Alegre foi fundada no dia 15 de janeiro de 2001. Nasceu dentro da SARGS e abrange a região metropolitana da cidade. Analisando a história das cooperativas no país, percebemos que é necessário um mínimo de três para o seu estabelecimento e consolidação. Se com dois anos de atividade, temos dez convênios assinados, acredito que ao completarmos três anos estaremos melhor ainda. Os últimos tempos foram bastante promissores à Cooperativa.

Boletim SARGS: Qual é o objetivo da Cooperativa?
Ildo Meyer: É a sobrevivência da profissão. Queremos reunificar a categoria em torno dos ideais profissionais. Os sócios da SARGS perceberam a necessidade de um braço econômico forte dentro da Sociedade. Durante as Jornadas e reuniões associativas, eram discutidas as necessidades desta formação. Estávamos com essa carência, quando reunimos colegas associados e decidimos projetar uma cooperativa. O número de cooperados tem aumentado gradativamente. Quanto mais integrantes tivermos, maior será a nossa força. Quando pudermos comunicar que temos 90% dos anestesiologistas de Porto Alegre associados à Coopanest-POA, o poder de negociação será maior. Por isso, o sucesso depende da participação dos colegas.

Boletim SARGS: Quais foram as principais dificuldades encontradas até o momento?
Ildo Meyer: Alguns colegas ainda aguardam se vai dar certo ou não, para depois ingressarem. Outros não acreditam que uma cooperativa possa dar certo. Existe também uma preocupação financeira. Alguns, simplesmente não confiam. Essas pessoas devem entrar para a cooperativa e, inclusive, integrar a diretoria para conhecer mais o trabalho. Não criamos a Coopanest-POA preocupados em ganhar, mas, sim, em não perder. Alguns se preocupam com a remuneração da diretoria. De acordo com os estatutos, todos os dirigentes devem receber remuneração. Mas desde a fundação da Coopanest-POA as diretorias abrem mão de seus honorários nas Assembléias realizadas.

Boletim SARGS: Existem taxas para ser um cooperado?
Ildo Meyer: Sim. São taxas inerentes a uma cooperativa e fundamentais para sua sobrevivência. O anestesiologista cooperado paga um valor sobre o serviço, além de impostos. Porém, as negociações realizadas possibilitam, além de valores mais diferenciados, o aumento da demanda de pacientes, ou seja, os honorários compensam as taxas. Os colegas devem entender que somente unidos poderemos discutir e negociar os valores dos serviços. Caso contrário, teremos que nos submeter a valores que nos forem impostos ou fazer acordos individuais. Outro medo dos não cooperados é a remuneração. Nos outros estados brasileiros, é um valor abaixo do nosso. Por isso, temem que a Coopanest-POA venha firmar convênio por valores baixos. Não é o nosso caso. Não pretendemos firmar contratos com valores insatisfatórios.

Boletim SARGS: Qual o segredo para uma cooperativa forte e quais os planos para o futuro da Coopanest-POA?
Ildo Meyer: O segredo para uma cooperativa forte é a união entre os cooperados, um trabalho sério e que a luta da diretoria seja pela maior remuneração dos associados. Esperamos que cada mês haja mais cooperados e mais convênios. Para o futuro, seguindo o modelo de outras cooperativas, pretendemos implementar benefícios à categoria.

Boletim SARGS: Qual a vantagem de ser um cooperado?
Ildo Meyer: O cooperado faz parte de um exército que tem hoje 108 soldados batalhando por melhores condições de trabalho e melhores ganhos. Os cooperados estão comprometidos com o atendimento de pacientes conveniados. Os anestesiologistas que não fazem parte da cooperativa não estão comprometidos. Isso cria um clima ruim quando o paciente conveniado precisa de um atendimento anestésico e prefere ser atendido por um anestesiologista da cooperativa. Pedimos aos colegas que dêem um crédito e ingressem à cooperativa. Não fiquem apenas olhando para observar se vai dar certo. Enquanto eles olham e não fazem parte continua esse impasse entre clientes e compradores dos planos de saúde. Isso é uma questão que vai ser resolvida em pouco tempo, através do ingresso dos colegas.

Boletim SARGS: Como funciona o cooperativismo em anestesiologia nos outros estados?
Ildo Meyer: Em todo o país existem cooperativas de anestesiologia. Elas são o apoio financeiro das sociedades regionais. Existem estados que têm cooperativas há mais de 20 anos. É o caso do Paraná, modelo que abrange 99% dos anestesiologistas locais.

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