setembro de 2002

"Melhores condições e ganhos podem advir da participação dos colegas"

O Diretor do Departamento Administrativo da SBA, James Toniolo Manica, fala sobre a sua atuação na entidade e sobre as principais questões que estão em pauta na SBA. Manica iniciou sua trajetória associativa na SARGS, onde foi presidente durante três anos.

Equipe Editorial: Para o senhor, qual o significado de participar da Diretoria da Sociedade Brasileira de Anestesiologia como Diretor do Departamento Administrativo?
James Manica: Para mim, significa a oportunidade de continuar fazendo um trabalho que gosto, e é também uma nova experiência. Por um lado, damos uma contribuição à especialidade. Por outro, aprendemos muito. Ser médico e pai, em tempo integral, é bastante exigente. Porém, há pessoas - e me incluo entre elas - que sentem necessidade de fazer algo mais. Nesse sentido, a vida associativa é muito rica em oportunidades, outras que não o trabalho meramente técnico. Para a SARGS, significa a certeza de uma proximidade maior com as grandes questões nacionais da especialidade, na medida em que tem novamente um representante participando da Diretoria da SBA.

Equipe Editorial: Quais os desafios que se impõem ao Diretor do Departamento Administrativo da SBA?
James Manica: Estatutariamente, as obrigações desse Diretor não são muito pesadas, o mais trabalhoso é cuidar da publicação Anestesia em Revista. Porém, é no encaminhamento das discussões e decisões da Diretoria sobre os diversos temas de tanta importância para a especialidade que reside a exigência maior. E aí há que se exercitar o bom senso.

Equipe Editorial: Quais as questões mais relevantes que estão em pauta no âmbito da SBA?
James Manica: Há negociações com o Ministério da Saúde com relação aos honorários pagos aos anestesiologistas pelo SUS. Tivemos ganhos importantes, mas que precisam ser consolidados. Continuam as tratativas com a AMB sobre a Lista de Procedimentos Médicos. O terceiro ano de Especialização está sendo implantado nos Centros de Ensino e Treinamento do País. A SBA tem debatido e enfrentado a questão da drogadição entre colegas. Estamos batalhando pela indexação da Revista Brasileira de Anestesiologia na National Library americana, o que dará outra projeção aos autores nacionais, e assim, muitas questões que acabam repercutindo na qualidade da vida profissional dos anestesiologistas brasileiros.

Equipe Editorial: Como iniciou a sua trajetória associativa?
James Manica: Eu fui presidente da SARGS em 1992, 1993 e 1994, sendo que em 1992 assumi em setembro. O colega que era presidente viajou para o exterior e eu assumi a presidência. Comecei junto à SARGS na Assembléia de Representantes, em 1991. Também participei da Comissão Examinadora para o Título Superior de Anestesiologia, que é uma comissão nacional da SBA. Isso trouxe uma experiência muito boa sobre as questões da Sociedade, pois não participamos apenas de uma comissão, mas acabamos envolvidos com o trabalho das outras comissões das diretorias.

Equipe Editorial: Que orientação o senhor daria aos mais jovens que têm interesse em participar associativamente?
James Manica: É muito fácil participar, basta querer. No momento em que o colega inicia a especialização em um Centro de Ensino e Treinamento da SBA ele ingressa como membro aspirante da SBA e da SARGS e isso já lhe dá o direito de participar das atividades científicas e associativas da sua Regional. A SARGS tem reuniões científicas freqüentes e sua Assembléia de Representantes se reúne regularmente. Estas assembléias são abertas a todos os membros, inclusive com direito à voz – o direito a voto é reservado aos representantes eleitos. Para os que desejam participar como representantes, basta se inscreverem como candidatos para as vagas que se renovam todo final de ano e obter o número de votos suficientes. A participação nas atividades científicas e nas Assembléias de Representantes é um bom começo para os que desejam se envolver com as atividades da SARGS. Os interessados são sempre muito bem recebidos e sua participação tem importância vital para a SBA, pois é a sua continuidade.

Equipe Editorial: Como o senhor enxerga a SARGS em relação às demais Sociedades do Brasil? E com relação a SBA?
James Manica: A SARGS é uma das poucas regionais que não tem cooperativa, ou pelo menos uma cooperativa bem estabelecida. Está nascendo. Então ainda não funciona como grande amálgama dos anestesiologistas. Nas regionais onde as cooperativas são dominantes, o que acontece é que ela funciona como uma grande força de união. Automaticamente, os colegas das cooperativas são filiados à sociedade regional do estado. Portanto, praticamente todos os anestesiologistas daquela regional estão ligados à Cooperativa e à Sociedade. Esta é uma desvantagem que vejo da SARGS em relação às demais Regionais da SBA. Naturalmente que uma das tarefas, tanto da SARGS como da SBA é buscar os colegas e trazer para dentro da Sociedade. Precisamos congrega-los e lutar na defesa, tanto de interesses sócio-econômicos, como da melhoria das condições técnicas para o exercício profissional.

Equipe Editorial: Como o senhor analisa a evolução da SARGS nos últimos anos?
James Manica: Do ponto de vista técnico e científico, eu diria que houve um avanço muito grande da própria especialidade, pois conquistas foram realizadas pela tecnologia. Isso proporcionou uma alteração radical na questão de segurança ao paciente. Hoje, o nosso paciente tem um nível de segurança muito grande, e o Rio Grande do Sul, certamente, acompanhou estes avanços. Agora, nas questões que dizem respeito à defesa de classe, houve dificuldades maiores. Ocorreram mudanças sociais que, de alguma forma, interferiram na posição do médico. Há 20 anos, tínhamos um poder de negociação muito maior. Hoje, a situação é diferente. Há 20, 30 anos tínhamos um percentual de 10, 15% da população conveniada a planos de saúde. Hoje, temos 40%, 50%. Hoje, todos têm acesso ao sistema de saúde governamental. Até estrangeiros são atendidos em nossos hospitais sem ter que realizar pagamento. O Brasil oferece um sistema que universalizou o atendimento. Isso não era assim há 20 anos atrás. Havia uma parcela muito grande da população que dependia da caridade dos hospitais e dos médicos. Mudaram os valores, mudaram as relações econômicas. Isso exige dos anestesiologistas posturas diferentes. Temos que nos adaptar aos novos tempos. Não podemos ignorar tudo isso que está acontecendo. Temos que trabalhar com o que nós temos. No meu entendimento, melhores condições e melhores ganhos só podem advir da participação dos colegas nas questões da especialidade e do crescimento econômico do país.

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