novembro de 2006

Hipnose e o Anestesiologia

A SARGS promoveu, no final de outubro, o 2º encontro dos CETs de todo Estado. No evento, o anestesiologista Dr. Paulo Ernani Evangelista ministrou a palestra Hipnose e o Anestesiologista. Acompanhe aqui a entrevista exclusiva com o especialista sobre este tema.

Equipe Editorial: Como iniciou a sua atuação com a hipnose e como o uso desta técnica se estabeleceu na anestesiologia? É algo novo?
Paulo Evangelista:
Fui atraído pela hipnose por causa do tratamento de dor. Comecei a perceber que hipnose é benéfica para os pacientes nesta situação. Então, comecei a buscar literatura, que no Brasil é pequena. Busquei a literatura internacional. Passei pela neurolingüística e cheguei a Milton Erickson, um dos pioneiros no assunto da hipnose, que modernizou e colocou o seu valor científico fundamental de atualmente. Ele foi a ‘mola propulsora’. Ele era psicólogo e psiquiatra e trabalhou 60 com a hipnose e foi o Fundador da Sociedade Americana de Hipnose e do Jornal. Com os estudos e referências bibliográficas, procurei quem estudava, quem publicava, quais as pessoas que continuavam nesse trabalho da hipnose. A hipnose é um recurso que pode ser usado tanto na doença como na saúde, me propus, me dediquei e tenho procurado fazer o uso da hipnose em medicina, pois ela pode ser usada na gastroenterologia, em radiologia, se faz cirurgias com hipnose e sedação analgésica com tranqüilizantes, porém em pequenas doses. Existem trabalhos mostrando que foram feitas 250 cirurgias de tireóide para tireóide com a hipnose e mínimas doses de sedativos e de opióides. Também existe a publicação de 1.500 cirurgias plásticas com hipnose e sedação com hipnótico e opióides. Então essa é uma outra área da hipnose que pode ser usada tanto na parte de cirurgia. Em oncologia pode ser usada para a dor dos quimioterápicos, para a dor da mucosite, também para náuseas e vômitos da quimioterapia. Além disso, a hipnose pode ser usada em pacientes com dor e depressão. A hipnose não é a única coisa a ser feita, mas ela é um recurso a mais que pode ser usado associado com outras medidas normais que se faz nos pacientes e que pode reduzir a quantidade de medicação, o sofrimento do paciente ou ainda acelerar uma recuperação.

Equipe Editorial: Atualmente, a hipnose está sendo utilizada na prática da anestesiologia no Brasil?
Paulo Evangelista:
Na anestesiologia eu não tenho conhecimento, mas sei que as pessoas têm se dedicado a essa parte e existem alguns trabalhos que já têm sido publicados sobre a hipnose em pacientes. À medida que vários livros recentes estão citando e recomendando que os médicos acrescentem o recurso da hipnose na sua prática, ela vai cada vez mais crescer. Os médicos não valorizaram a hipnose, por várias razões. Porém, agora, se vê a importância e a utilidade que ela pode oferecer ao trabalho do médico em benefício do paciente.

Equipe Editorial: Existe ainda uma resistência por parte dos médicos para a utilização da hipnose?
Paulo Evangelista:
Não há resistência, mas, sim, um desconhecimento. Quando eu digo que tenho trabalhado com a hipnose, tenho percebido uma curiosidade e interesse. Ninguém faz alguma observação negativa, todos elogiam, reconhecem que é bom, e dizem que deveriam utilizar mais desse recurso. As pessoas mostram surpresa e interesse, mas nenhuma crítica negativa. Mesmo que se houvesse uma crítica, para se criticar é preciso conhecer.

Equipe Editorial: Que benefícios diretos, além da redução do uso de medicamentos, os pacientes tem com o uso da hipnose?
Paulo Evangelista:
A rapidez e a evolução dos acontecimentos, o que se poderia levar mais tempo, ou exigir uma maior quantidade de medicação, ou mais consulta e trabalho, com a ajuda da hipnose esses acontecimentos se aceleram. Como no exemplo, da moça que ia viajar de avião, e com uma consulta de duas horas isso se resolveu, sem nenhuma medicação. A hipnose é um aprendizado, pois toda a hipnose é como uma auto-hipnose. Depois que se aprende, é possível aplicar automaticamente e sozinho.

Equipe Editorial: Os anestesiologistas que tiverem interesse em desenvolver essa área, buscar o conhecimento, como se devem proceder?
Paulo Evangelista:
Acho que o movimento da hipnose vai ficar melhor coordenado na medida em que mais pessoas praticarem esta técnica. Em termos de literatura fundamentalmente ela é americana. Um outro aspecto é a organização de jornadas e de congressos de hipnose quem encontram dificuldade de falta de patrocínio, fundamentalmente pela ausência de medicamentos e equipamentos. Além disso, a hipnose não é um aprendizado rápido.

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