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junho de 2006
SARGS homenageia Manoel Antonio Pereira Alvarez com título de sócio honorário
O anestesiologista Manoel Antonio Pereira Alvarez, o Dr. Neco, recebeu, durante o XXI Sábado de Raquianestesia, o título de sócio honorário da Sociedade de Anestesiologia do Rio Grande do Sul (SARGS) por todo seu destaque profissional e também por incentivar os sócios na participação associativa.
De 1998 a 1999, ele foi presidente desta entidade. Na década de 60, criou a 1ª Residência Médica da Universidade Federal de Santa Maria, que atualmente prestigia o Centro de Ensino e Treinamento de Santa Maria como seu nome. Em 1992, especializou-se no Serviço de Dor, em Barcelona – Espanha, e logo após tornou-se diretor clínico do Hospital em que trabalhava. Em entrevista para o Informativo Virtual da SARGS, o Dr. Neco falou mais sobre a sua experiência profissional.
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| Presidente da SARGS, Airton Bagatini entrega o título de Sócio Honorário para Dr. Neco. |
Equipe Editorial: Conte um pouco de sua experiência como o precursor dos opióides no Rio Grande do Sul. Como que foi todo esse pioneirismo e o progresso na área ao longo deste período?
Dr. Neco: Realmente o progresso da anestesiologia foi sensacional. Eu comecei a trabalhar com na área em 1962. Conclui residência em Santos, em 1964. Fiz o Título Brasileiro e retornei para Santa Maria, para o departamento de fisiologia. Fui professor de fisiologia, concursado e então fiz concurso para o departamento de cirurgia. Posteriormente, passei para a parte de anestesia como disciplina. Até que, junto da disciplina, fundamos a residência médica em anestesiologia, e acredito que foi uma das pioneiras no Rio Grande do Sul. Pelo menos no interior, tenho certeza. Recebemos a credencial da Sociedade Brasileira de Anestesiologia (SBA) em 15 de setembro de 1967 e a residência começou em 2 de janeiro de 1968. De lá para cá, ininterruptamente, formamos, sem dúvida, mais de duas centenas de anestesiologistas no Rio Grande do Sul. Tenho alunos no Peru, Bolívia. Em torno de 1977, deixei de fazer medicina particular ou conveniada para dedicar-me exclusivamente ao ensino. Na ocasião, formei um grupo de ex-residentes e publicamos trabalhos, alguns até pioneiros, como o uso de opióides em crianças como um processo de analgesia pós-operatório por via peridural sacra. Esse foi o primeiro do mundo, em 1988, e até concorremos a um concurso na SBA de melhor trabalho científico. A partir de 1992, começamos a ser referência na interpretação clínica e no uso de opióides, inclusive por via sistêmica. O nosso núcleo é um dos destaques do Brasil. As técnicas de anestesia são hoje bem definidas, desde anestesia inalatória, a pura que é difícil de ser feita; a anestesia mista que é inalatória e venosa; que eu acho uma grande técnica; a anestesia venosa pura; os bloqueios de neuroeixo; que é sempre uma adição de opióide. Nós somos um foco de pioneirismo em opióides, claro que o nosso conhecimento é compartilhado, mas o pioneirismo foi nosso.
Equipe Editorial: O senhor criou a primeira residência na UFSM? Como foi o início da criação desse pólo na região?
Dr. Neco: Sim, depois de 30 anos de residência, a Dr. Mirian, a coordenadora, sugeriu colocar o meu nome no Centro de Ensino e Treinamento. Nunca tive a aspiração de receber este destaque. O Centro foi criado em 15 de setembro de 1967.
Equipe Editorial: O senhor teve uma experiência na Espanha. Como foi?
Dr. Neco: Em 1991, fui convidado pelo professor Miguel Angel para ir à Barcelona como professor para participar do estafe da Universidade Central. Fui para lá e em maio, onde morei por sete meses. Lá, me especializei em dor, porque achava que com relação a anestesia eu não tinha muito mais o que eu aprender. No entanto, no que dizia respeito a dor, eu tinha bastante. Quando voltei para Santa Maria, resolvi fazer na Universidade um Ambulatório de Dor. Hoje, esse Ambulatório atende de 10 a 15 consultas pela manhã na Universidade, e junto com a Dor Crônica também tem o serviço de Dor Aguda, pós-operatória.
Equipe Editorial: Qual a sua avaliação da anestesiologia durante os últimos 30 anos?
Dr. Neco: Vou dizer só uma frase: se eu fosse fazer anestesia hoje, com as condições e conhecimentos que eu tinha quando me formei, com as condições técnicas, com drogas, morreria mais de 80% dos pacientes. Peguei um período incrível. Os relaxantes musculares nós trazíamos do Uruguai, por exemplo. Hoje, a realidade é totalmente diferente, principalmente com relação a dados clínicos e a monitoração. Na época, só tinha éter. Eu sou da época de se fazer anestesia com estetoscópio precordial. Não havia recurso nenhum. Aqui, acompanhei o início da cirurgia torácica. Nos últimos 30 anos a especialidade evoluiu muito. Hoje, há uma segurança muito grande, uma monitoração séria e muito mais conhecimento.
Equipe Editorial: Olhando para o início da sua carreira o que o senhor poderia dizer?
Dr. Neco: Eu estou com 68 anos. O meu trabalho de anestesiologia se iniciou quando eu me formei, em 1962. Investi muito em mim, ??sempre fui meio “pioneirão”. Fiz muitos cursos em diversos lugares, a maioria das vezes a universidade não me ajudava financeiramente. Uma vez fui para a Espanha como professor sem ganhar. Eu trabalhava bastante, foi uma experiência boa.
Equipe Editorial: Que avaliação o senhor faz desse tipo de homenagem como o título de sócio honorário da SARGS?
Dr. Neco: Eu nunca tive a intenção de plantar alguma coisa para o meu “crescimento”. Foi vindo ao natural. No ano passado, por exemplo, aproximadamente 1500 médicos fizeram uma votação para escolher um profissional que fosse a personalidade que eles gostariam de ser, e me elegeram sem que eu soubesse. Eu acho que foi uma coisa fantástica. Tenho que fazer uma reflexão e achar que isso é um compromisso. Não posso ganhar um título como esses e amanhã “meter os pés pelas mãos”.
Enfato Comunicação Empresarial
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