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agosto de 2004
Em entrevista exclusiva à SARGS, a anestesiologista Dra. Maria Anita Spíndola fala sobre a sua experiência em presidir a Josulbra, realizada em Santa Catarina, e sobre temas científicos como testes al
Equipe editorial: Como presidente da Josulbra e ex-presidente da Sociedade de Anestesiologia do Estado de Santa Catarina (SAESC), que aspectos a senhora levantaria quanto a participação associativa dos anestesiologistas do sul do país?
Dra. Maria Anita: Como presidente da Comissão Organizadora 39ª Josulbra e ex-presidente da SAESC, atualmente presidida por Dr. Mário Tadeu Waltrick Rodrigues, nos sentimos extremamente gratos aos colegas da Região Sul que, com a sua participação expressiva, fizeram com que a 39ª edição fosse a jornada com maior número de inscritos, somando 260 participantes, em uma Josulbra realizada em nosso Estado.
Equipe editorial: Quantos anestesiologistas são associados à SAESC e quanto este contingente representa em percentuais com relação ao mercado?
Dra. Maria Anita: Em 2004 a SAESC conta com 257 sócios quites e médicos inscritos como anestesiologistas no CREMESC e que não são sócios da SAESC, 43. Embora o CREMESC ainda não nos tenha fornecido a atualização para o ano de 2004, esses números nos dão uma idéia clara de como a SAESC conseguiu congregar a grande maioria dos anestesiologistas catarinenses.
Equipe editorial: Na área científica, como está os estudos na área de alergia e anestesia? Que pontos são relevantes destacar para os anestesiologistas sobre este tema?
Dra. Maria Anita: Sobre estudos em alergia e anestesia vale a pena destacar, principalmente, os realizados pela França e Grã-Bretanha. A França notabiliza-se por uma rede com aproximadamente 40 centros, denominados de "Clínicas de Alergo-anestesia", com alergistas e anestesistas trabalhando juntos, e para onde são encaminhados pacientes que apresentaram reação alérgica no trans-operatório ou com uma reação em anestesia anterior, não adequadamente esclarecida. No Hospital Universitário da Universidade Federal de Santa Catarina temos um núcleo que trabalha nesses moldes, com uma equipe composta por imunologista, alergista, bioquímicos e anestesista (M. A. S.). Informações podem ser solicitadas junto ao CIT (Centro de Informações Toxicológicas, pelo telefone: 0800 643 5252). A Grã-Bretanha tem, desde 1992, um registro para os casos fatais que são minuciosamente estudados. Ambos têm um trabalho também a partir de consensos multidisciplinares com Sociedades de Alergia e Imunologia, Pneumologia, Médicos Intensivistas, Socorristas etc, classificar e estabelecer protocolos de tratamento para anafilaxia. A padronização do tratamento, de acordo com a gravidade de cada caso, é um tema relevante para nós, anestesiologistas que, pela injeção seqüencial de um grande número de drogas em nossos pacientes, estamos sob risco mais freqüente de nos defrontarmos com essa situação, para a qual as medidas devem ser tomadas de imediato, sem hesitação.
Equipe editorial: Quais os testes alérgicos prévios a cirurgias que devem ser realizados?
Dra. Maria Anita: O melhor teste alérgico prévio a ser realizado é a consulta pré-anestésica. É essencial esclarecer que testes alérgicos prévios na população em geral não têm indicação por não se conhecer o valor preditivo negativo e positivo desses testes. Essa é a posição dos autores que mais pesquisam sobre o assunto e ratificado no Congresso Mundial de Anestesiologia de 2004. Não há, portanto, fundamentação científica para indicação indiscriminada desses testes. Na 39ª Josulbra realizamos uma mesa-redonda, coordenada pelo Diretor Científico da SBA, Dr. Ismar Lima Cavalcanti e com a participação de um alergista, anestesista e um jurista (Juiz Corregedor). É necessário que nós, anestesiologistas, iniciemos um diálogo com os juristas com o objetivo de mostrar que não há fundamentação científica para a indicação de testes alérgicos prévios para a população em geral e que, portanto, não nos poderá ser atribuída culpa sob essa alegação. A SBA, em seu Programa de Educação Continuada, oferecerá, nos próximos números, um artigo sobre o assunto.
Equipe editorial: Muitos pacientes, e isso podemos detectar pelos questionamentos que chegam através do site da SARGS, têm dúvidas sobre os testes para detectar alegria a alguma substância contida nos anestésicos. Que informações os anestesiologistas devem estar passando aos seus pacientes para esclarecer estas dúvidas?
Dra. Maria Anita: Novamente a avaliação pré-anestésica é a chave. Na consulta pré-anestésica, o anestesiologista pergunta ao paciente sobre anestesias anteriores: tipo (se geral ou regional); complicações; alergias a medicamentos utilizados comumente: analgésicos, antibióticos e anti-inflamatórios; alergia a produtos de borracha (Látex); alergia a alimentos, principalmente a frutas como banana, mamão, maracujá, kiwi, entre outros e tubérculos como mandioca e batata-salsa. Esses alimentos apresentam uma alta taxa de reação cruzada com látex utilizado em luvas cirúrgicas e em inúmeros produtos e equipamentos hospitalares. É, portanto, a partir da consulta pré-anestésica que o médico anestesiologista encaminhará o paciente para consulta com o alergista, o que não é possível nas situações de emergências. É comum na consulta pré-anestésica o paciente relatar uma reação em anestesia anterior, porém não apresentar um relatório ou uma cópia da ficha de anestesia. Apenas 10% dos pacientes que procuram o Nartad trazem algum relatório, mesmo que resumido ou cópia da ficha de anestesia; a ausência desses dados dificulta a avaliação adequada de uma reação.
Equipe editorial: E sobre o tema Hipertermia Maligna, que aspectos são importantes destacar?
Dra. Maria Anita: Sobre a Hipertermia Maligna, condição farmacogenética sub-clínica que se manifesta quando o paciente é exposto aos agentes desencadeantes, é importante saber que uma ou mais anestesias prévias sem intercorrências não excluem o paciente da susceptibilidade à Hipertermia Maligna. Portanto, é de fundamental importância, além de conhecer a história familiar relacionada a intercorrências em anestesias, consultar o anestesiologista, conversar com ele sobre Hipertermia Maligna, saber se há dandrolene disponível no seu hospital. Outro aspecto a ser destacado é a variabilidade clínica da Hipertermia Maligna, desde casos fulminantes, nos quais ocorre o óbito apesar do tratamento, até aqueles ditos frustros que geram dúvidas por não desencadear a crise com todos os seus comemorativos. É extremamente importante estabelecer, nesses casos, a hipótese diagnóstica de Hipertermia Maligna, fornecer um relatório escrito aos familiares e orientar sobre a necessidade de biópsia muscular com teste de contratura. No Hospital Universitário da Universidade Federal de Santa Catarina oferecemos consultas de orientação e encaminhamento para realização da biópsia muscular com teste de contração (a ser realizado no Rio de Janeiro). Informações poderão ser obtidas com a Sra. Mª Aparecida Bropp pelo fone: (48) 331.9182.Temos atendido e encaminhado pacientes de diversos estados do país, inclusive do Rio Grande do Sul.
Jornalista responsável: Mariana Turkenicz
Enfato Comunicação Empresarial
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