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dezembro de 2009
Hipnose e Anestesiologia
A entrevista deste mês é com o Dr. Paulo Ernani Evangelista, formado na Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, com título de Especialista em Anestesiologia pela SBA, e foi realizada durante a XX JARGS, onde ele palestrou sobre Anestesiologia e Hipnose.
Equipe Editorial: Desde quando a técnica da hipnose é utilizada?
Dr. Paulo: Esta técnica é utilizada desde 1700, quando houve uma atenção para as potencialidades do que hoje é chamado de hipnose. Anteriormente, ela era utilizada mais pela psicologia ou psiquiatria, caracterizada pela energia magnética. Hoje, estamos com bastante avanço na área da hipnose, que apresenta utilidade em diversas áreas na vida das pessoas. Aplicada à prática anestésica começou a ser aceita na Inglaterra em 1891, nos Estados Unidos em 1958 e, no Brasil, em 1966, quando o Conselho Federal da Medicina autorizou o seu uso na área médica.
Equipe Editorial: Qual o conceito de hipnose?
Dr. Paulo: Toda hipnose é uma auto-hipnose, a pessoa se hipnotiza. O hipnotizador apenas facilita o processo. Trata-se de um estado alterado de consciência, assim como existem outros estados alterados como o coma alcoólico, a anestesia, o transe do tipo religioso. Na hipnose este estado é utilizado para ajudar as pessoas a superar as suas dificuldades. A hipnose trabalha com o hemisfério direito do cérebro, que é mais emotivo, mais artístico, diferente do hemisfério esquerdo, que é mais racional, matemático e lógico. Então, a hipnose tira a consciência do caminho e vai direto para o contato com o inconsciente.
Equipe Editorial: Como funciona a estrutura de uma sessão de hipnose?
Dr. Paulo: Na primeira vez que a pessoa entra em contato com a hipnose, é esclarecido se ela tem alguma dúvida, se ela tem algum receio, se ela já foi hipnotizada ou já viu alguém ser hipnotizado, e se ela possui algum conhecimento da técnica. A partir daí, se passa para a indução da hipnose e depois se utiliza o potencial da técnica para abordar as dificuldades, medos ou dor que o paciente possa apresentar.
Equipe Editorial: O que pode acontecer com o paciente durante a hipnose?
Dr. Paulo: Os pacientes saem da sessão muito leves, muito mais tranquilos do que quando chegaram e normalmente ficam bastante satisfeitos. A hipnose é um aprendizado que a pessoa vai poder utilizar para qualquer coisa na vida dela.
Equipe Editorial: Na prática, como o senhor utiliza a hipnose em seus pacientes?
Dr. Paulo: Eu tenho utilizado a hipnose em anestesia, no tratamento da dor, do trauma, da ansiedade, do medo e nas fobias. No dia a dia, a ansiedade e a dor estão muito presentes quando os pacientes chegam à sala de cirurgia ou quando têm a notícia de que serão operados. Com os conhecimentos da hipnose e com os recursos e técnicas utilizados, o anestesista pode proporcionar rapidamente condições para que o paciente fique mais calmo e confortável, a fim de que ele tenha uma recuperação mais tranquila. Eu aconselho que os anestesiologistas façam treinamento em analgesia hipnótica, a fim de incorporar a técnica ao trabalho.
Equipe Editorial: Quais as projeções da hipnose para o futuro?
Dr. Paulo: A hipnose com certeza não vai substituir a anestesia na sala de cirurgia, mas ela é um apoio muito grande em termos de conforto para o paciente e alívio da dor. Isso vai ter cada vez mais valor, substituindo medicações, que normalmente apresentam muitos efeitos colaterais.
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