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Novembro de 2009
Atualização em transfusão sanguínea
A entrevista deste mês é com o Dr. Tailur Alberto Grando, responsável pelo CET do SANE de Porto Alegre e Anestesiologista do Instituto de Cardiologia de Porto Alegre, e foi realizada durante a XX JARGS, onde ele palestrou sobre atualização em transfusão sanguínea.
Acompanhe a entrevista na íntegra.
Equipe Editorial: Na sua opinião, a hemácia é heroína ou vilã atualmente?
Dr. Tailur: Heroína em alguns casos, vilã em outros. No passado, ela era considerada heroína por todos. Hoje, ela é considerada por muitos como vilã. Em determinados procedimentos, que apresentam sangramento em acidentes amplos ou grandes sangramentos em cirurgias de grande porte, ela é heroína. Mas, naqueles pacientes em que podemos diminuir as batidas transfusionais para hemoglobina de “sete”, ela é considerada vilã.
Equipe Editorial: Quais os riscos das transfusões hoje em dia?
Dr. Tailur: Até 1980 nós achávamos, pelo menos na literatura, que o grande problema das transfusões era a transmissão de infecções. Este pensamento era baseado, principalmente, na história do HIV. A AIDS, naquela época, se expandiu pelo mundo e realmente o sangue era o transmissor, assim como da Hepatite B e a C. Hoje, em função, principalmente, dos doadores protocolados e mais estudados, nós temos uma mudança. Então, a infecção está praticamente desaparecendo ou diminuindo, e a não-infecção é que se torna o problema das transfusões sanguíneas.
Equipe Editorial: Quais os riscos da estocagem para a qualidade do sangue?
Dr. Tailur: Hoje, sabemos que a estocagem produz alterações na hemácia, principalmente no que diz respeito à forma. À medida que o tempo passa, a hemácia passa de uma forma bicôncava para uma forma esférica, causando problemas na passagem por capilares. Além disso, ela diminui dois metabólicos, que seriam o 23DPG e o S-Nitroso hemoglobina, que são radicais que transportam oxigênio para os tecidos. Uma vez que estes compostos aumentam no sangue estocado, eles não liberam tanto oxigênio aos tecidos, desviando a curva da hemoglobina para a esquerda. Além disso, nós teremos problemas de Ph, causando acidose, nós temos problemas de excesso de potássio liberado pela ruptura das hemácias, e temos também problemas relacionados à hipotermia.
Equipe Editorial: Qual a posição dos anestesiologistas em relação à transfusão de sangue?
Dr. Tailur: Atualmente, os anestesiologistas estão cada vez mais tendendo à não transfundir.
Equipe Editorial: Na sua opinião, quais os principais benefícios e problemas das transfusões?
Dr. Tailur: A transfusão não é uma técnica a ser descartada, pois é uma técnica ainda atual, que é necessária em determinados procedimentos, principalmente em grandes cirurgias em que o sangramento é importante. Mas, atualmente, se pensa cada vez mais em diminuir a necessidade de transfusão, porque a morbimortalidade e a sobrevida parecem diminuir nestes casos. Esses trabalhos ainda são controversos, mas eles estão sendo cada vez mais perseguidos no sentido de dar um diagnóstico a respeito do quanto a transfusão é prejudicial.
Enfato Comunicação Empresarial
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