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Outubro de 2009
Anestesia e Cirurgia Plástica
A entrevista do mês é com o Anestesiologista da Santa Casa de Porto Alegre, Dr. Alexandre Roth de Oliveira, e foi realizada durante a XX JARGS, onde ele palestrou sobre Anestesia e Cirurgia Plástica: Técnicas e Segurança.
Equipe Editorial: Quais são os avanços da anestesia em cirurgia plástica?
Dr. Alexandre: Na última década, os avanços que ocorreram na anestesia para cirurgia plástica buscaram essencialmente estabelecer critérios de segurança para os pacientes submetidos as mais diversas intervenções. Medicações profiláticas de náuseas e vômitos, de tromboembolismo, de melhor controle da dor aguda, bem como a interferência de técnicas anestésicas nestes eventos (ex.: menor ocorrência de náuseas e vômitos com anestesia venosa total, menor ocorrência de tromboembolismo com anestesia regional).
Equipe Editorial: Há alguma novidade nas técnicas utilizadas?
Dr. Alexandre: As novidades são as mesmas para a anestesia como um todo, sendo que a aplicação na cirurgia plástica deve respeitar o padrão de risco e benefício desta população.
Equipe Editorial: O que ainda precisa melhorar em relação à segurança em anestesia durante cirurgias plásticas?
Dr. Alexandre: Ainda precisa melhorar a qualidade da informação científica produzida e disponível para avaliação de técnicas e atitudes com impacto adequado em desfechos clínicos significativos.
Equipe Editorial: Como são os índices de morbimortalidade nos últimos anos? Eles vêm sendo reduzidos?
Dr. Alexandre: Sim. Em 1954, a taxa era de seis pacientes para cada dez mil cirurgias. Hoje em dia os níveis nos Estados Unidos estão em 0,82 pacientes para cada 100 mil, em cirurgias de internação, e 0,32 em pacientes em regime ambulatorial.
Equipe Editorial: Há alguma diferença nos índices de morbimortalidade entre homens e mulheres?
Dr. Alexandre: A diferença é visível em todas as faixas etárias e os maiores índices acontecem com pacientes na faixa dos 25 aos 45 anos. Nesta idade, as mulheres têm uma menor mortalidade geral relacionada à anestesia. Mas há sim uma diferença de gênero: mulheres têm menor mortalidade que homens.
Equipe Editorial: Há algum motivo científico para que isso ocorra?
Dr. Alexandre: Não, na realidade, é um dado antropológico que a gente observa pela vida real. Mulheres vivem mais que homens.
Equipe Editorial: Quais os procedimentos necessários para que tudo corra bem durante o ato cirúrgico?
Dr. Alexandre: A conduta do anestesiologista, referente à segurança na cirurgia plástica, é essencial. O planejamento, a seleção do paciente, a conduta no transoperatório, são importantes para aumentar a segurança da cirurgia. A escolha da técnica e das medicações é importante, mas a postura e a conduta do anestesiologista em relação à segurança é determinante para o sucesso da cirurgia.
Equipe Editorial: Os relaxantes musculares apresentam algum risco aos pacientes quando utilizados no pré-operatório?
Dr. Alexandre: O perigo deles é o mesmo de qualquer medicação. Porém, com o avanço da anestesia venosa total, que é uma anestesia que apresenta menores ocorrências de náusea e vômito, especificamente em cirurgia plástica, é a mais recomendada. Os precursores deste tipo de anestesia têm priorizado não usar relaxantes musculares, o que aumenta o risco de ter uma falha de intubação neste paciente. Portanto, ainda é controverso o uso ou não de relaxantes musculares. Eu defendo a continuação do uso de relaxantes musculares com monitorização do bloqueio neuro-muscular.
Equipe Editorial: Podemos afirmar que a técnica anestésica utilizada influencia nos resultados do pós-operatório?
Dr. Alexandre: Sim, sem dúvida. A anestesia geral tem um maior índice de náuseas e vômitos se comparada à anestesia local com sedação ou regional. Então, a técnica anestésica influencia na ocorrência de náuseas e vômitos. Existem algumas teorias a respeito disso, mas o que importa é o dado clínico. Se o paciente com anestesia geral tem mais efeitos colaterais como estes, nós temos que usar mais intervenções para preveni-los. Se optarmos por uma técnica que já tenha menor incidência de náuseas e vômitos, eventualmente, poder ser dispensado o uso de intervenções profiláticas e utilizar, então, a anestesia local com sedação ou regional sobre esse desfecho.
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