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Julho de 2009
Todo anestesiologista tem que ser um sócio ativo e participante da SARGS
A entrevista deste mês é com o ex-presidente da SARGS, Dr. Florentino Fernandes Mendes, que destaca o quanto é importante os anestesiologistas se manterem unidos em prol da categoria, atuando ativamente junto à entidade gaúcha e também à SBA.
Equipe Editorial: O senhor pode fazer um breve balanço sobre sua gestão na SARGS, encerrada no final de 2008? E, para lembrar aos sócios, qual é o período exato em que o senhor permaneceu como presidente da Sociedade?
Dr. Florentino Fernandes Mendes: Fui presidente em 1996 e 1997 e durante o ano de 2008. Acho que esse último ano foi de diagnóstico da situação, de desenvolvimento do planejamento estratégico da SARGS, visando os próximos cinco anos, de valorização do sócio e da sociedade, preparatório à reforma do Estatuto Social, de desenvolvimento de ações visando à organização do Congresso Brasileiro, de viabilização econômica da SARGS, de realização da Josulbra, em Bento Gonçalves, de desenvolvimento de novos talentos, de crescimento do quadro associativo.
Equipe Editorial: Quais os pontos que o senhor destaca sobre a importância da participação dos sócios na entidade?
Dr. Mendes: O anestesiologista, na grande maioria das situações, é o único capaz de defender e de desenvolver a especialidade, pois é a parte interessada (às vezes, a única). A participação ativa do associado, na execução, na obtenção e na cobrança de resultados é importante e foi o que permitiu, ao longo dos anos, que a SARGS alcançasse o destaque que tem e, como consequência, que o anestesiologista sempre tivesse uma entidade forte, lutando em defesa da classe. Ainda que exista dissenso, ainda que eu discorde, é importante a minha participação como sócio. A SARGS é uma sociedade democrática, onde todas as opiniões devem estar representadas. Existem vários caminhos e modos de se fazer as coisas e nenhum está necessariamente certo. A pior situação, contudo, é o silêncio e o afastamento do colega da SARGS. Quando isso acontece, perdemos todos. Perdemos representatividade, perdemos a oportunidade de melhorar, deixamos de conhecer a opinião do colega, vai-se a nossa propalada união, não exercitamos o saudável embate de ideias e, sem ter intenção, estamos deixando mais satisfeitos aqueles que têm interesse em nossa cisão. Todo anestesiologista é de importância capital para a SARGS e, nesse momento, o retorno dos colegas que estão afastados é estratégico. Essa resposta pode parecer longa demais para dizer simplesmente: todo anestesiologista tem que ser um sócio ativo e participante da SARGS (todas as ações que levem a isso são meritórias, as demais devem ser evitadas).
Equipe Editorial: Quais são os itens positivos e o que precisa ser aprimorado na SARGS?
Dr. Mendes: A nossa história, a nossa união, o surgimento de novas lideranças, a doação e a quantidade de colegas que trabalham em benefício da especialidade. A organização da SARGS e da SBA. Nossa preocupação com o aprimoramento técnico-científico e a defesa de classe. Nossa marca. Todos são pontos positivos e tudo precisa ser constantemente aprimorado e renovado. Esse é um dos segredos: manter nossa história e tradição e reinventar a SARGS sempre. E nossa gente é muito criativa e competente.
Equipe Editorial: Na sua opinião, qual é a importância do Planejamento Estratégico 2008-2012?
Dr. Mendes: O título diz tudo: é estratégico. É necessário definir e planejar ações que sejam importantes para a SARGS realizar sua missão e sua visão. Por que existimos e o que queremos ser? Como vamos desenvolver? Com que recursos? Em quanto tempo? Quem vai fazer? Quais os resultados esperados? Por que esses resultados são importantes? Como vamos medi-los? São perguntas cujas respostas vão definir as ações que devem e as que não devem ser executadas, e essa definição é importante para o desenvolvimento e para a sobrevivência da sociedade.
Equipe Editorial: O que o senhor destacaria para os jovens anestesiologistas, ainda em formação, sobre a atuação associativa?
Dr. Mendes: A participação associativa é muito gratificante. Que todos entrem para a SARGS e para a SBA e atuem eticamente com a ambição de servir, inclusive, participando da diretoria e ocupando cargos associativos. Não conheci até hoje ninguém defendendo os interesses da especialidade que não fossem os próprios anestesiologistas. Portanto, que ninguém se iluda, nem se omita. Que cultivem e desenvolvam amizades na SARGS, elas são muito ricas. Que estimulem os demais colegas a participar. Que não perguntem o que a SARGS faz ou pode fazer por mim? Que sejam propositivos: o que eu posso ou gostaria de fazer pela SARGS? Que ocupem espaços e desenvolvam plenamente suas capacidades.
Equipe Editorial: A Josulbra, realizada em abril de 2008, marcou o debate sobre a medicina perioperatória, destacando a importância do futuro da especialidade. Qual é a sua opinião sobre esse tema? O senhor concorda que a medicina perioperatória ganhará maior destaque?
Dr. Mendes: A medicina perioperatória está na moda. Ela representa uma inovação e um modo novo de fazer aquilo que sempre fizemos: proporcionar conforto, qualidade e segurança para o nosso paciente. Qualidade e segurança estão agora bastante relacionadas com resultados. Obter os melhores resultados, inclusive a longo prazo, é a “nova” missão. Isso vai exigir mudança de comportamento, trabalho em equipe, liderança, comprometimento, remuneração justa, reconhecimento, planejamento. Não existe dúvida de que a medicina perioperatória vai ganhar mais destaque e evidência. A dúvida que persiste é: qual será o papel do anestesiologista dentro da medicina perioperatória: central ou periférico? Particularmente, sou um otimista. Acho que nossa organização, história e pioneirismo credenciam o anestesiologista brasileiro a desempenhar um papel central no desenvolvimento desse tema.
Equipe Editorial: Quais são seus projetos na vida associativa?
Dr. Mendes: Estou participando do Comitê de Medicina Perioperatória da SBA. Sou responsável por um CET da SBA. Estou participando da organização do CBA. Estou participando da organização da JARGS. Volto a ser um soldado da SARGS, para o que for preciso.
Equipe Editorial: Que mensagem o senhor poderia deixar para a nova gestão, iniciada em dezembro passado, e aos demais associados da entidade?
Dr. Mendes: A atual diretoria representa parte do melhor da SARGS. Renovação, talento, vivência associativa, liderança, representatividade, trabalho. Só posso desejar sorte e dizer que confio no desempenho e sei que estaremos muito bem representados. Aos sócios da SARGS, gostaria de agradecer imensamente pelo privilégio de representá-los, me desculpar por eventuais falhas e dizer que o lugar de todo anestesiologista é dentro da SARGS. Sempre haverá um bom combate para ser combatido.
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