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setembro de 2003
“Sem união vamos ter grandes perdas”
Equipe Editorial: O senhor comentou sobre um fórum que está sendo criado pelo Ministério da Saúde. O que é realmente esta questão?
Pedro Thadeu Vianna: No dia 15 de setembro, fomos convidados a participar de uma reunião de urgência em que o Ministério da Saúde abordou a proposta de criação de um fórum. Provavelmente, a conclusão final acontecerá em outubro. As considerações feitas são muitas boas para a classe médica. Por este motivo, o ministro fez questão de ir a São Paulo, na sede da Associação Médica Brasileira. Na ocasião, ele falou sobre diversas propostas que o Ministério irá fazer neste fórum. Uma delas é algo que foi muito sonhado, mas hoje com as lutas atuais da classe médica, praticamente ninguém mais fala no tema, que é a livre escolha do paciente com relação ao médico, independente do convênio. A idéia é que não haja a limitação do profissional por estar ligado a um determinado plano de saúde. A tabela negociada seria paga aos médicos que não fazem parte do plano.
Equipe Editorial: Esta iniciativa mudaria completamente o atendimento médico?
PTV: Isso é uma idéia revolucionária, pois os médicos teriam condições de atender pacientes de todos os planos. Seria a livre escolha. Eles não ficariam engessados a algum plano. A idéia do Ministro é a seguinte: uma vez o indivíduo com plano de saúde ele tem o direto de optar pelo seu anestesiologista e seu cirurgião, independente dele ser credenciado ou não ao plano. Nesse caso, o plano seria obrigado a pagar àquele profissional o valor que ele costuma pagar aos seus. Não haveria prejuízo, mas, sim, liberdade de escolha do paciente. No caso de haver um descredenciamento de um determinado médico em relação ao plano de saúde, fica assegurado o direito do paciente que já tinha o relacionamento com o médico de continuar seu tratamento até que haja substituição sem trauma. Isso é extremamente importante, pois desde que foi criado o Plano Real não temos aumento. Faz nove anos que os médicos não têm seus salários reajustados, independente da especialidade. E isso é defendido pelo Ministério da Saúde que, a partir do momento que o plano de saúde teve o seu reajuste, 30 dias após, deve ser repassado à classe médica. Isso evita períodos tão longos sem reajustes para os médicos.
Equipe Editorial: O senhor acredita que estas idéias serão efetivamente colocadas em prática?
PTV: Pela primeira vez, o Ministério se mostrou favorável aos anseios dos médicos e dos pacientes. Já é um bom começo. Concordo que os planos de saúde devem sobreviver. Mas precisa haver um reajuste que seja repassado aos médicos e os direitos dos doentes devem ser preservados. Esse documento está disponibilizado na Associação Médica Brasileira. Acredito que toda a classe médica deve defender esse fórum. Podemos ter três representantes, um da AMB, um do Conselho Federal de Medicina e outro da classe médica. É evidente que os representantes dos planos de saúde também estarão presentes. Estas conquistas não serão fáceis, mas vamos lutar para torná-las realidade.
Equipe Editorial: Como está sendo a implantação da nova tabela de honorários para a anestesiologia?
PTV: Com relação à nova tabela, ela já está implantada. A tabela da anestesiologia está separada por oito portes, conforme o tipo de anestesia. Inclusive, houve um primeiro momento em que esses valores foram reduzidos. Mas, como temos uma tabela separada, houve um acordo na AMB, provocado pelo nosso presidente Esaú, e conseguimos obter os valores anteriores. Em última análise, a lista de procedimento está sendo processada como solicitamos. O que existe é uma diferença, que eles chamam de banda de 20% do valor acordado - ou seja, 10% para menos ou para mais - que vai variar para cada regional. É nesse caso que os anestesiologistas brasileiros devem se unir em volta de suas cooperativas, para que possamos obter o maior valor possível em relação ao plano. Que a nossa banda seja sempre 20% para mais. Esse é o desejo da Sociedade. Temos um valor fiel da balança, que é um valor intermediário com possibilidade de negociação, para mais e para menos. Queremos é que todas as regionais do Brasil lutem pelo máximo. Sabemos que está acontecendo em sociedades ou regionais em que os médicos anestesiologistas estão unidos, como por exemplo no Mato Grosso, em Brasília, no Rio Grande do Norte. Certamente, estes locais serão os carros-chefes para obterem o máximo do valor da lista de procedimentos hierarquizados.
Equipe Editorial: Como estão os preparativos para a eleição da Sociedade Brasileira de Anestesiologia (SBA)?
PTV: A próxima eleição da SBA acontecerá durante o Congresso Brasileiro de Anestesiologia, a partir do dia 14 de novembro, em Brasília. Teremos, no último dia do evento, uma reunião da assembléia dos representantes com a eleição dos candidatos, do presidente e toda a diretoria da sociedade e seus comitês.
Equipe Editorial: Quais as expectativas e planos para quando o senhor assumir a presidência da SBA?
PTV: A anestesiologia e a sociedade precisam fornecer todas as ferramentas para que os membros da SBA tenham competência. Estamos lutando, inclusive para a continuação da nossa Biblioteca Virtual, que é muito cara e muito acessada. Assim, como tudo o que já existe com relação ao ensino, como por exemplo o SAVA. Vamos manter a dedicação especial a área de dor, que está se expandindo. Já certificamos alguns anestesiologistas nessa área através da AMB. Agora, estamos ultimando a parceria da anestesiologia com neurologia, de tal maneira que as duas especialidades médicas podem certificar na área de atuação em dor. Queremos marcar para outubro uma reunião para que consigamos a consolidação da atuação em dor. Afinal, esta é uma possibilidade de um campo novo, o médico sai do centro cirúrgico e pode ter o seu consultório. É uma área em grande crescimento.
Equipe Editorial: A diretoria da SARGS vem levantando muito a importância da união entre a classe. Durante o seu discurso na abertura da JARGS, o senhor falou que as cooperativas são a salvação para este problema. Por que o senhor acredita que esteja ocorrendo esta situação?
PTV: Na realidade, isso é um trabalho como de formiguinha, lento, árduo, mas que deve ser contínuo no sentido de mostrar a todos os anestesiologistas do Brasil que sem a união vamos ter grandes perdas. As regiões em que há desunião são as que têm mais dificuldades de obter sucesso, principalmente diante dos planos de saúde. É baseado na desunião que o plano conta para poder atuar. Quanto mais desunido, melhor para o plano de saúde. Existe uma degradação de competitividade. Já, se nós formos compactos, unidos, sei que podemos ter dificuldades momentâneas, pois existe um individualismo que dificulta esse tipo de conduta. No entanto, os colegas devem pensar não no curto prazo, mas no longo prazo. Se ele tiver um pensamento coletivo e social, de abrir mão de um pouco hoje em troca da segurança de amanhã, com certeza progrediremos. Mas, se ele não pensar dessa forma, dificilmente vamos avançar na concretização da união de todos.
Equipe Editorial: Qual a sua opinião em relação à XIV Jornada de Anestesiologia do Rio Grande do Sul?
PTV: São de jornadas semelhantes a essa que venho freqüentando são as que disseminam a cultura, que oportuniza a atualização. Com isso, teremos a uniformização do conhecimento e, conseqüentemente, a competência em todos os lugares.
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