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fevereiro de 2010
Comissões do CBA trabalham para surpreender no 57º CBA
Em entrevista ao Informativo da SARGS, o Presidente da Comissão Executiva do 57º CBA, Dr. Gastão F. Duval Neto, e o Presidente da Comissão Cientifica, Dr. Luiz Alfredo Jung, falam sobre os preparativos do maior evento da anestesiologia do país, que ocorrerá este ano em Porto Alegre.
Como estão os preparativos para o 57 CBA?
Trabalhando já há 3 anos, nossa CC criou uma programação que cobre a extensa área de conhecimento e da atividade clínica em Anestesiologia. Este programa será desenvolvido em sete salas do Centro de Convenções da FIERGS. Em cada uma delas, de 21 a 24 de novembro, serão apresentados 15 temas por dia, sempre correlacionados entre si. Assim, mais de 300 apresentações de 25 minutos serão assistidas por um número estimado de 2.500 anestesiologistas brasileiros e latino-americanos. Atualmente nossas atividades se concentram na escolha e distribuição dos palestrantes para as diferentes conferências. Já estão comprometidos com o CBA os professores Paul Myles, da Austrália, Henrik Kehlet, da Dinamarca, Lena Sun e Henrique Aramburu, dos Estados Unidos. Alem deles, diversos anestesiologistas brasileiros com atividade fora do país, desenvolvendo pesquisas ou cursando pós-graduação, também virão a Porto Alegre, como convidados. Por outro lado, estão sendo cuidadosamente preparados, workshops e cursos pré-congresso em áreas como a Ventilação pulmonar e Ecografia no auxílio à realização de bloqueios anestésicos. Com ênfase nos aspectos práticos, estas atividades se constituem em um bom momento para ampla discussão e manuseio destes equipamentos. Enfim, pretendemos oferecer aos nossos convidados a possibilidade de atualização ou aquisição de novos conhecimentos bem como compor um cenário onde se efetue uma intensa troca de experiências.
Como presidentes, o que os senhores estão prevendo para esse Congresso?
Temos verificado uma grande expectativa entre os anestesiologistas de diversas regiões do Brasil relativamente ao nosso programa científico. A nossa cidade tem o privilégio de se situar a poucos quilômetros de áreas com grande interesse turístico, como Caxias do Sul, Canela e Gramado, bem como Bento Gonçalves e Garibaldi. Devido a esses atrativos turísticos procuramos estabelecer um programa científico que, sempre que possível, concentra temas por áreas específicas do conhecimento como também as atividades correlatas, possibilitando ao congressista desfrutar as atividades de lazer durante o desenvolvimento deste Programa, sem prejuízo de sua atualização clínico-científica. Além disso, Porto Alegre possui hoje excelentes centros de compras e divertimentos em seus diversos Shoppings, bem como extensas áreas de passeio, caminhadas e exercícios físicos, através de belas praças ou à beira do Guaíba. Em função disso, construímos uma programação que se estende por cerca de 10 horas diárias dedicadas à ciência, mas que permite a todo o visitante, a partir das 18h30min, aproveitar as belezas do pôr-do-sol e a vida noturna porto-alegrense.
O que os profissionais podem esperar de novidades para o evento?
Numa época em que o computador, através da internet, nos coloca instantaneamente em contato com o mais recente descobrimento tecnológico, o mais novo conhecimento científico ou com os últimos resultados de experimentação, os congressos, de uma maneira geral, não se constituem, como no passado, em local para divulgação de novidade. Os próprios pensadores contemporâneos reconhecem que hoje em dia, o homem não tem a mesma necessidade que sempre teve, de guardar em alguns locais de seu cérebro, uma massa de informações indispensáveis para a sua boa atividade diária e sobrevivência. Basta-lhe saber localizar os sites onde elas estão depositadas. Se para o bem e para o mal, as conseqüências disto, não nos cabem discutir. Cabem a eles – os congressos de especialidades como o nosso - isto sim, servir de palco para uma análise crítica da enorme massa de informações acumuladas em determinados períodos. Neste sentido, o nosso 57º CBA pretende estender esta periodicidade para os primeiros 10 anos do século XXI, isto porque, o último congresso brasileiro realizado aqui, em 1999, propôs uma antevisão do que o novo século nos guardaria. Em 2010 pretendemos rever estas antevisões, analisá-las nos seus detalhes, conhecer as que se mostraram ineficazes e as que venceram o desafio da passagem do tempo. Com isto, tende-se a criar uma base científica sólida para a prática segura da nossa especialidade no futuro que se vislumbra.
Qual a importância para o estado do Rio Grande do Sul sediar um evento deste porte?
Antes de qualquer coisa configura-se o reconhecimento do alto nível da anestesiologia sul riograndense. Uma leitura atenta do programa científico deixa clara a preocupação da anestesia gaúcha com a segurança de seus pacientes. Errar é humano, afirmação popular que pode tender a favorecer a auto-desculpa ou a auto-flagelação, dependendo de traços individuais de caráter e personalidade de cada um, é o titulo de uma importante publicação do final dos anos 90. Esta afirmação gerou uma quantidade enorme de publicações internacionais que procuram jogar luzes sobre o tema segurança. Certamente ela também depende de várias outras causas, que serão adequadamente dissecadas em nosso encontro. A este propósito, pretendemos divulgar os esforços dos nossos principais centros médicos que desenvolvem hoje, programas de gestão e qualidade, inclusive na área da anestesia e que visam em última análise, a segurança do alvo maior da nossa atividade – o paciente.
Quais áreas da anestesiologia que mais serão debatidas neste evento?
Mesmo num encontro como o nosso, que reunirá especialistas de todas as regiões brasileiras e vários paises latino-americanos, norte americano, europeu e australiano, é pouco provável que se consiga abranger todas as áreas da especialidade. Nesse sentido, procuramos privilegiar então, aqueles em que avanços mais significativos ocorreram nestes 10 anos, citando como exemplo a anestesia em cirurgia cardíaca, em neuro-cirurgia ou cirurgia vascular, as quais, graças a uma extensa sistematização do conhecimento e das condutas nelas implementadas, conseguiram evidenciar significantes avanços clínico-assistenciais. A prevalência de dor aguda e crônica no mundo atual, o amplo conhecimento sobre ambas, gerado nos últimos anos, bem como o vasto arsenal terapêutico hoje existente foram os motivos para incluir o tema Dor de maneira intensa e extensa em nossa programação científica. Os diferentes monitores utilizados durante a condução de uma anestesia, semelhantemente aos radares na aviação, nos informam das condições biológicas do paciente, mas são geralmente caros e portanto merecem uma análise critica individualizada da relação custo/benefício. A anestesia nos diversos transplantes de órgãos, pelos aspectos específicos que apresenta e pela possível interferência no seu sucesso final, se constitui noutra área propícia à intensa discussão e também terá seu espaço. Além destas áreas destacadas, existem diversos aspectos da nossa prática diária em que se exige tomadas de decisões extremamente importantes e que podem influir na saúde do paciente a longo prazo. Transfundir sangue ou seus derivados, ou preferir seus substitutos sintéticos em um paciente que perde ou perdeu sangue; preferir uma determinada técnica anestésica à outra para a realização de certa cirurgia; ao empregar uma técnica de anestesia geral, preferir um plano mais profundo ou mais superficial, estes são apenas alguns exemplos de decisão que devem ser tomados com o maior número de variáveis analisadas possíveis. Por fim, e não menos importantes são os esforços para manutenção de altos níveis de qualidade da prática anestésica diária, havendo na programação diversas conferências que tentam sistematizar tais iniciativas, a partir das experiências de outros paises e também de centros brasileiros.
A medicina perioperatória tem sido vista como o futuro da especialidade. Como será abordado este tema no evento?
De fato, ao anestesiologista é exigido um nível de conhecimento teórico e prático que o torna especialmente indicado para, entre as diversas especialidades, centrar os cuidados perioperatórios que devem ser dispensados às pessoas que necessitam de procedimentos cirúrgicos. Por ser dotado necessariamente da capacidade de objetividade em conhecimento e ação, atento a mudanças rápidas na evolução de determinados quadros e capaz de tomar decisões vitais em pouquíssimo tempo, ele já assume tal posição em paises europeus, americanos e australianos. Também no Brasil, em centros como São Paulo e Rio de Janeiro isto já começa a ser realidade. Sob a orientação política e estratégica da SBA esta área de atuação vem se ampliando, o que torna imperiosa a difusão dos conhecimentos para a sua adequada execução. Através do Comitê de Medicina Peri-operatória da SBA, recebemos uma relação de temas que devem ser incluídos em todos os Congressos da especialidade. Assim, durante todo o primeiro dia, uma sala de conferências foi dedicada somente a estes temas.
Enfato Comunicação Empresarial
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